Saturday, February 12, 2011
Ciúmes do Sol
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
"Quem me dera que fosse aquela loura estrela,
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
"Pudesse eu copiar o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
"Mísera! tivesse eu aquela enorme, àquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!"
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
"Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta azul e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?"
(Machado de Assis, Círculo visioso)
Quem nunca já olhou para alguém e se perguntou como seria viver a vida dele? Todos fazem isto de vez em quando. Geralmente, é muito mais fácil ver as atributos bons do outros do que nós mesmos. Isto é porque nós queremos esconder nossas fraquezas. No mesmo jeito que a lua nem se sabe que o sol se sente com fardo da luz e preso no céu azul, nós quando admiramos alguém não vemos as fraquezas que ele tem ou os fardos que ele carrega. Não é errado admirar os outros, mas é prejudicial ao nosso bem-estar negligenciar nossos próprios atributos bons. Também é importante lembrar que todos foram feitos diferente um do outro com propósito. Cada um com fortalezas e cada um com fraquezas.
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